Agro business/ Exportação de Madeira do Pará tem queda de quase 40% neste Início de 2025!!!
O principal item da pauta de exportação, a madeira perfilada (pisos, decks, tacos e frisos), sofreu impacto com uma queda de 63,83% no valor exportado, totalizando US$ 9,4 milhões. A quantidade enviada ao exterior também caiu 46,60%, somando 7,8 mil toneladas.
Representantes do setor acreditam que a redução no valor exportado está associada a fatores como a oscilação da demanda internacional, a crescente pressão por certificações ambientais e as mudanças nas políticas comerciais de mercados estrangeiros. O preço médio por tonelada ficou em US$ 520,67.
A Aimex acompanha o cenário com preocupação e busca estratégias para fortalecer a competitividade da indústria madeireira paraense no mercado internacional. O consultor técnico da associação, Guilherme Carvalho, comentou os dados divulgados.
“A queda no valor exportado, especialmente da madeira perfilada, que é nosso principal produto, demonstra que estamos enfrentando mudanças no mercado internacional causadas pela instabilidade econômica e pela concorrência com outros países produtores de madeira tropical. Continuamos atentos às movimentações do mercado e reforçando o compromisso da indústria local com a sustentabilidade e a qualidade dos produtos exportados”, afirmou Guilherme Carvalho.
Entraves no Ibama/ No entanto, o principal fator que tem dificultado as exportações de madeira do Pará é o entrave causado pelo Ibama na liberação das licenças necessárias. A exigência das Licenças CITES e LPCO para espécies como Ipê (Handroanthus e Tabebuia), Cumaru (Dipteryx) e Cedro (Cedrela), introduzida recentemente, tem provocado um bloqueio nas exportações.
Esse entrave tem levado à retenção de centenas de contêineres com madeira produzida de forma legal e sustentável, originada de projetos de manejo florestal sustentável, que permanecem parados nos pátios das empresas e portos do Pará, deteriorando-se.
“Além da concorrência com outros países produtores de madeira tropical, o setor madeireiro brasileiro também enfrenta o desinteresse e o descaso do Ibama em se estruturar para liberar as autorizações de forma eficiente e dentro do prazo necessário. A falta de agilidade do órgão tem levado sérios prejuízos para a indústria madeireira do Pará,” afirmou o consultor técnico da Aimex, Guilherme Carvalho.
Para Deryck Martins, presidente da Aimex, o comportamento negativo nas exportações também é fruto de problemas internos do Ibama. “A queda nas exportações não está ligada apenas à dinâmica do mercado internacional, mas, principalmente, à demora na concessão das licenças necessárias pelo órgão,” explicou Martins.
Ele acrescentou que além da dificuldade de liberar as Licenças CITES e LPCO outra situação que aflige o setor é a urgente necessidade de revisão da nova regra de Extração Não Prejudicial (Non-Detriment Finding, NDF) para o manejo florestal sustentável das espécies que precisam da licença cites. “O verão está chegando e até o momento essas regras não foram revisadas e tratadas com o setor, acreditamos que o Ibama enfrenta dificuldades estruturais para tratar deste assunto que vai resultar, brevemente, em um novo efeito represador no fluxo de exportação do setor.
“A burocracia excessiva e a falta de comunicação interna dentro do Ibama têm sido entraves constantes para o setor madeireiro. O que estamos vendo é um cenário de inoperância do órgão, que não consegue dar vazão às demandas das empresas, mesmo quando toda a documentação está regular e os produtos são provenientes de manejo florestal sustentável. A morosidade nas análises, o desencontro de informações entre os servidores e a falta de estrutura do Ibama fazem com que a madeira legal fique retida indefinidamente. O setor não pode continuar arcando com prejuízos devido à ineficiência de um órgão que deveria ser capaz de cumprir seu papel com agilidade e transparência”, finalizou Deryck.
Com informações; Portal Santarém/
Jornalista Jefferson Miranda

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